


Cem anos de imigração bessarabiana no Brasil -
uma história pouco conhecida
Conheça o que os descendentes de bessarabianos estão fazendo para celebrar a chegada ao país de seus pais, avós e bisavós
Já ouviu falar da Bessarábia, uma região esquecida do leste europeu? Não! Então, senta que lá vem história. Antes saiba que há filhos e netos de bessarabianos à nossa volta e espalhados pelo Brasil afora, bem como no Uruguai e na Argentina, entre outros países da América Latina. Os bessarabianos estão em toda parte, mas quase ninguém sabe disso.
Este site quer mudar essa história. Veja o banner principal, que abre o site. É a capa colorida de uma trilogia de livros físicos que contam, com o rigor possível de historiadores amadores, a história de uma das últimas levas de imigrantes que chega ao Brasil, na década de 1920, quando o apogeu da Grande Migração já havia passado. Capa, aliás, cheia de simbolismos, criada pelo artista plástico Antonio Peticov, ele também filho de bessarabianos.
Vieram da Bessarábia, uma região multiétnica que à época pertencia à Romênia, mas que havia sido colonizada pelos russos a partir do final do século XVIII. Depois de vencer os turcos numa guerra, o Estado russo incentivou o povoamento por diferentes povos. A região se tornou um caldeirão cultural de etnias distintas que se relacionavam entre si (búlgaros, gregos, romenos, russos, alemães, judeus, gregos, gagaúzos, turcos, tártaros, ucranianos etc). Algumas gerações depois, cerca de dez mil descendentes daqueles primeiros búlgaros e gagaúzos migraram novamente, desta vez para o Brasil.
O livro Centenário da Imigração Bessarabiana Búlgara e Gagaúza, no Brasil, 1926 - 2026: sua história em três tempos narra no primeiro capítulo escrito por Jorge Cocicov o longo período em que a Bulgária ficou sob jugo turco otomano; escrito por Nelson Grecov, o segundo volume aborda a história das aldeias bessarabianas, que após a 1ª Guerra Mundial sofrem a opressão romena; por fim, Neide de Souza Praça conta como foi a chegada ao Brasil, a dura adaptação e a contribuição à sociedade brasileira.
Este livro é uma oportunidade para todos conhecerem e refletirem sobre a questão identitária. Os descendentes dos bessarabianos no Brasil cultivam uma necessidade tocante de encontrar a "raiz da raiz". É como se não bastasse pesquisar, conhecer e interagir com a Bessarábia, é preciso e urgente se relacionar com o país do qual os antepassados dos seus ancestrais saíram pelo menos 100 anos antes dos primeiros búlgaros bessarabianos chegarem ao Brasil.
A obra poderá ser adquirida no Museu da Imigração no dia 25 de abril, quando será comemorado o centenário da imigração, às 14h. Você está convidado a participar deste momento especial. Os lugares para a cerimônia já estão preenchidos, mas o evento segue aberto ao público, com a exposição Mundo em Movimento, transmissão ao vivo pelo Youtube, apresentações musicais no telão, além de barracas de comidas típicas.
Será um dia de celebração da cultura bessarabiana, de encontro entre passado e presente e de fortalecimento do elo comunitário - o que nos permitiu atravessar um século em solo brasileiro. Este é um convite aberto a todas as pessoas que queiram conhecer nossa história, nossa cultura e celebrar a diversidade brasileira.
Participe!
